Pesquisa indica que a obesidade influencia na perda do paladar

O senso comum indica que as pessoas com excesso de peso comem mais porque tem mais prazer com o consumo dos alimentos e, por isso, dificuldade em resistir. No entanto, várias pesquisas já evidenciaram que a percepção do sabor dos alimentos pode ser enfraquecida em pacientes obesos. Um estudo recente chamado Inflammation arising from obesity reduces taste bud abundance and inhibits renewal testou essa disfunção em camundongos, e indicou que, depois de oito semanas após os ratos se tornarem obesos, houve a perda de 25% do paladar, além da alteração na percepção do gosto do alimento.

De acordo com o estudo, "a inflamação crônica de baixo grau provocada pela obesidade reduz o número de papilas gustativas nos tecidos gustativos dos camundongos em observação". Mesmo na fase adulta, as células do broto de sabor sofrem uma renovação contínua. A vida útil média desse ciclo de renovação é de apenas algumas semanas, controlada por um equilíbrio de proliferação e morte celular. 

Os dados recentes revelam que a inflamação aguda provocada pela obesidade pode alterar esse equilíbrio, inibindo sua renovação e modificando a gustação. A pesquisa ainda aponta que essa inflamação é provavelmente a causa da disfunção do paladar observada em populações obesas. O paladar pode ser recuperado com tratamento que envolve dietas, hábitos saudáveis e perda de peso. 

A permanente investigação dos fatores que influenciam a obesidade é fundamental na compreensão e no combate a esta doença crônica de maior incidência no 
mundo. Na última década, o número de obesos no Brasil cresceu 60%. Hoje, já atinge um em cada cinco brasileiros e 57% da população adulta brasileira tem excesso de peso. Entre as crianças, a questão também tem se agravado, 7,3% das menores de 5 anos estão acima do peso.

A obesidade é também um dos maiores problemas associados ao aumento da mortalidade e de várias comorbidades, como as doenças cardiovasculares, diabetes, acidente vascular cerebral, câncer, entre outras.
Editorial, 02.ABRIL.2018 | Postado em Geral
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